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MELLO, Heitor de
Arquiteto, construtor e professor.
Heitor da Cunha e Mello (1875: Rio de Janeiro, RJ – 1920: Idem).

Filho do almirante Custódio José de Mello, líder da Revolta da Armada em 1893.

“A morte súbita de Heitor de Mello marcou o início do declínio dos estilos classicizantes. Ele possuía um indiscutível conhecimento da arquitetura do passado; evitava tomá-la como exemplo e copiá-la fielmente; de fato, não existia qualquer preocupação arqueológica; misturava estilos, utilizava certos elementos formais num contexto completamente diferente do original, mas sabia efetuar esses arranjos e dava um toque particular a cada um de seus edifícios.” (Yves Bruand, Arquitetura contemporânea no Brasil, p. 37. São Paulo: Perspectiva, 1981).

ca.1895-1900 – Realizou o curso de arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), no Rio de Janeiro.
Fundou o Escritório Técnico Heitor de Mello, um dos mais importantes do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas do século XX.
1905-10 – Teve participação destacada como projetista e construtor de prédios na avenida Central (atual avenida Rio Branco), principal marco da reforma urbana do Rio de Janeiro na administração do prefeito Pereira Passos. Foi responsável por cinco projetos, entre os quais, o edifício da Perfumaria Bazin, e sete construções, como o edifício-sede do Clube Naval e o primeiro prédio do Clube de Engenharia.
1906 – Fez o projeto do prédio que abriga atualmente o V Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no bairro da Gamboa, assumindo depois a execução da obra. Com ornamentos de argamassa à moda inglesa, o edifício foi construído com dois pavimentos, torre, esculturas armadas e ameias junto das guaritas que deixam patente seu caráter militar.
1907-08 – Foi classificado em primeiro lugar no concurso internacional para o Palácio do Congresso Nacional (não executado) e no concurso nacional para o arco comemorativo do primeiro centenário da abertura dos portos no Brasil, no Rio de Janeiro.
1908 – Fez o projeto do prédio para o antigo Distrito Policial do Catete (atual 9ª Delegacia da Polícia Civil do Rio de Janeiro), com fachada caracterizada pelas porções de alvenaria aparente em contraste com a decoração em argamassa.
1909-10 – Projetou e construiu o edifício da antiga Polícia Central (atual sede do Museu da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro), um dos mais belos exemplos da linguagem eclética da arquitetura em voga na época.
1911-12 – Seu escritório executou as obras do Hospital Central do Exército, no bairro de Benfica, em estilo Luís XVI, e do Palácio Cardinalício de São Joaquim, no bairro da Glória, este último projetado pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios.
1912 – Foi classificado em primeiro lugar no concurso público para professor catedrático de composições de arquitetura, desenho e ornamentos da ENBA. Fez o projeto do palacete de Eduardo Otto Theiler, no bairro do Flamengo, em estilo renascentista francês, considerado de primorosa arquitetura, apesar da dificuldade do terreno exíguo e triangular.
1913 – Obteve o primeiro lugar no concurso nacional de projetos para o edifício-sede do Jockey Clube, na avenida Rio Branco, concluiu o projeto de residência de Rego Barros (atual Clube Gurilândia), no bairro de Botafogo, e foi responsável pela construção do prédio que abriga atualmente o I Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no bairro do Catumbi.
1915 – Afastou-se das atividades docentes da ENBA, por motivos de saúde
1917 – Projetou o edifício-sede do Derby Clube, vizinho ao Jockey Clube, na avenida Rio Branco, ambos já demolidos.
1918 – Associou-se ao arquiteto Arquimedes Memória, seu genro e professor da ENBA.
1919 – Seu escritório elaborou o projeto do novo edifício do Conselho Municipal do Rio de Janeiro (atual Câmara de Vereadores), desenvolvido posteriormente pelos arquitetos Arquimedes Memória e Francisque Cuchet.
1920 – Arquimedes Memória e Francisque Cuchet assumiram a direção de seu escritório, em decorrência do falecimento do arquiteto.

Por iniciativa de José Mariano Filho, diretor da ENBA, foi criado em 1921 o Prêmio Heitor de Mello.

Foi membro da Sociedade de Arquitetos de Buenos Aires, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e autor de outros projetos como o edifício da Gazeta de Notícias e a residência do médico-sanitarista Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e os prédios do Grupo Escolar de Nova Friburgo (RJ) e do Grupo Escolar D. Pedro II, em Petrópolis (RJ), os dois últimos ainda existentes.


Fontes
AYALA, Walmir. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: INL/MEC, 1977, v. 3, p. 131.
BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1981.
GUIA da arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Jorge Czajkowski (Org.). Rio de Janeiro: Casa da Palavra: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2000.
SANTOS, Paulo. Quatro Séculos de Arquitetura. Rio de Janeiro: IAB, 1981
SANTOS, Paulo. Arquitetura e Urbanismo na Avenida Central. In: FERREZ, Marc. Álbum da Avenida Central. São Paulo: Editora Ex Libris, 1982.
SANTUCCI, Jane. Os pavilhões do Passeio Público: Theatro Casino e Casino Beira-Mar. Rio de Janeiro: Editora Casa da Palavra, 2005.
TELLES, Pedro Carlos da Silva. História da engenharia no Brasil, século XX. Rio de Janeiro: Clavero, 1993, v.2.
< http://www.crea-rj.org.br/heitordemello/citacoes.htm>

 

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