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ABRAMO, Lívio
Gravador, ilustrador, desenhista, pintor, jornalista e professor
Lívio Abramo (1903: Araraquara, SP – 1992: Assunção, Paraguai).


“ Sua arte caracteriza-se precisamente por essa identificação profunda entre ela e o artista. Daí sua marca principal ser o ímpeto da linha, que só se verga, só se encurva, ou ao exalar-se no seu impulso inicial ou pelo encontro de outra força maior. O ímpeto da linha e também a largueza do seu senso espacial traem a ascendência italiana do artista. O sopro de sua inspiração, entretanto, vem todo do calor e da sensualidade da natureza tropical e da dramaticidade nostálgica e rudeza monumental da paisagem urbana de São Paulo e do Rio.”
(Mario Pedrosa. “Despedida de Lívio Abramo”, in PEDROSA, Mario. Acadêmicos e modernos: textos escolhidos III. Organização Otília Beatriz Fiori Arantes. São Paulo: Edusp, 1998. p. 225-226).


1907 – Mudou-se para Santos (SP) com os pais. Primogênito de uma família que teve grande presença na história brasileira, tanto nas artes como na política, era filho de imigrantes italianos e neto do militante anarquista Bartolomeu Scarmagnan, organizador da greve geral de 1917, em São Paulo.
1909 – Passou a viver na cidade de São Paulo, onde seu pai se estabeleceu como empresário do setor têxtil.
1911-1921 – Estudou no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, onde teve aulas de desenho com o pintor e professor Enrico Vio. Interrompeu os estudos, em virtude de dificuldades financeiras do pai.
1923-1928 – Trabalhou em serraria do pai, em Itararé (SP). Autodidata, produziu as primeiras gravuras em madeira, influenciado pela obra de Oswaldo Goeldi.
1928 – Voltou a morar em São Paulo e realizou gravuras em linóleo para o jornal anarquista Lo Spaghetto, retratando a vida operária em formas simplificadas, ao estilo cubista.
1930 – Começou a produzir desenhos de moda, cartazes de propaganda, pintura de anúncios, cenários de teatro e cinema. Ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), juntamente Mário Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo.
1931 – Iniciou carreira de jornalista no Diário da Noite, de São Paulo, produzindo os desenhos que comentavam o fato principal de cada dia. Conheceu Lasar Segall que também influenciou sua obra.
1932 – Foi expulso do PCB, acusado de pertencer à dissidência trotskista do partido, ingressando em seguida no Partido Socialista Brasileiro.
1933 – Retomou a xilogravura, produzindo gravuras que focalizavam tipos e paisagens dos subúrbios paulistanos. Conheceu os trabalhos de Käthe Kollwitz e outros artistas expressionistas alemães numa exposição organizada pelo galerista Theodor Heuberger. Anos mais tarde, declarou que essa exposição teve influência decisiva em seu trabalho artístico.
1933-34 – Colaborou com desenhos e gravuras no tablóide O Homem Livre, dirigido por Fúlvio Abramo e participou do Clube dos Artistas Modernos, dirigido por Flávio de Carvalho.
1935-1938 – Produziu a série de gravuras que recebeu o título Espanha, muitas das quais alusivas à guerra civil espanhola.
1937 – Participou da fundação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.
1939-1944 – Paralelamente às suas atividades de jornalista, colaborou como ilustrador de várias publicações, como o álbum de músicas Negros e folclore brasileiro, de Hekel Tavares, o álbum com trabalhos de Clóvis Graciano, Carlos Scliar, Manoel Martins, Oswald de Andrade Filho e Walter Lewy, e o livro História poética brasileira, de Jamil Haddad. Nesse período, também trabalhou no escritório do arquiteto Oswaldo Arthur Bratke e aperfeiçoou a técnica de xilografia com Adolph Kohler, professor da Escola de Xilografia do Horto de São Paulo.
c. 1946 – Iniciou colaboração com o jornal Vanguarda Socialista, fundado no Rio de Janeiro por Mário Pedrosa.
1948 – Produziu xilogravuras em papel de arroz para o livro Pelo sertão, de Afonso Arinos, publicado pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil no ano seguinte.
1948-1951 – Colaborou com O Jornal e a Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro.
1950 – Conquistou o Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Belas Artes, com as gravuras de Pelo sertão.
1951-1953 – Viajou à Europa, visitando os principais centros artísticos da Itália, França, Espanha, Bélgica, Holanda e Inglaterra. Frequentou o Ateliê 17, em Paris, e se aperfeiçoou em gravura em metal com Stanley William Hayter.
1953 – Recebeu o 1º Prêmio de Gravura na 2ª Bienal de São Paulo.
1953-1959 – Foi professor de xilogravura na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Produziu uma série de gravuras sobre o Rio de Janeiro e uma série sobre festas em que procurava mesclar o que tinha visto na Europa com as festas populares brasileiras.
1956-1959 – Integrou a diretoria do MAM-SP, compondo o júri de premiação da 4ª Bienal Internacional de São Paulo. Colaborou com o suplemento literário do jornal O Estado de S. Paulo.
1956-1957 – Viajou pela primeira vez ao Paraguai e ajudou a fundar o Taller de Grabado Julian de la Herreria, em Assunção.
1959 – Voltou ao Paraguai, como representante do Museu de Arte Moderna de São Paulo, acompanhando uma mostra do acervo da instituição. Aproveitou a nova viagem para conhecer melhor o país, percorrendo os antigos povoados jesuíticos com o arquiteto brasileiro Saturnino de Britto e o intelectual paraguaio Ramiro Domínguez.
1960 – Criou com Maria Bonomi o Estúdio Gravura, em São Paulo, dando continuidade às atividades de professor, e ilustrou obras de Dostoievski para a editora José Olympio.
1961 – Organizou a exposição Arte Barroca das Antigas Missões Religiosas do Paraguai para a 6º Bienal Internacional de São Paulo.
1962-1992 – Residiu em Assunção. A convite do Itamaraty, integrou a Missão Cultural Brasil-Paraguai (posteriormente Centro de Estudos Brasileiros), onde coordenou o setor de artes plásticas e visuais, ensinou gravura, desenho, pintura e história e análise da arte. Apaixonado pelo país vizinho, orientou toda uma escola de jovens gravadores paraguaios. Participou da fundação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraguai.
1988 – Recebeu o Prêmio Oscar Trindad, no Paraguai.
1991 – Foi laureado com o prêmio de honra da Fundação Bienal de São Paulo e com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes.


Realizou, entre outras, as seguintes exposições individuais:
1944 – Ateliê de Clóvis Graciano, São Paulo.
1948 – Studio D'Arte Palma, Roma.
1950 – Lívio Abramo: retrospectiva, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).
1951 – Lívio Abramo: desenhos e aquarelas, Galeria Domus, São Paulo.
1955 – Lívio Abramo, Salão Municipal de Montevidéu.
1956 – Instituto Cultural Brasil-Paraguai, Assunção.
1957 – Lívio Abramo: gravura, desenho e guache, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio).
1960 – Lívio Abramo: desenhos e gravuras, Centro Cultural Brasil-Israel, São Paulo.
1967 – Lívio Abramo: retrospectiva de desenhos e gravuras, Galeria da Missão Cultural Brasileira, Assunção.
1972 – Lívio Abramo: retrospectiva, MAM-SP.
1974 – Centro de Estudos Brasileiros, Washington.
1979 – Desenhos de Lívio Abramo, Galeria Graphus, Assunção.
1983 – Biblioteca Municipal Mário de Andrade, São Paulo.
1984 – Lívio Abramo: registros de um percurso, MAM-SP.
1989 – Os Frisos do Partenon, Museo de Arte Moderno, Cidade do México.
1990 – Lívio Abramo: gravuras, Embaixada do Brasil, San José, Costa Rica.
1991 – Lívio Abramo: xilogravuras, Espaço Cultural BFB, Porto Alegre.


Entre as exposições individuais póstumas, destacam-se:
1994– Lívio Abramo: Brasil-Paraguai. Galeria do Memorial da América Latina, São Paulo
2003 – Centenário de Lívio Abramo. Centro de Artes Visuales del Paraguay/Museo del Barro, Assunção.
2006 – Lívio Abramo, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo.


Participou, entre outras, das seguintes exposições coletivas:
1935 – 2º e 3º Salão Paulista de Belas Artes, Escola de Belas Artes de São Paulo.
1937 – Salão de Maio, Esplanada Hotel (primeira de três participações)
1941 – 1º Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, São Paulo.
1944 – Exhibition of Modern Brazilian Paintings, Royal Academy of Arts, Londres, e Norwich Castle and Museum, Norwich, Inglaterra.
1948 – 54º Salão Nacional de Belas Artes, Museu Nacional de Belas Artes (MNBA-RJ).
1949 – 1º Salão Baiano de Belas Artes, Hotel Bahia, Salvador.
1950 – 56º Salão Nacional de Belas Artes, MNBA, Rio de Janeiro.
Bienal de Veneza (primeira de quatro participações).
1951 – Bienal Internacional de São Paulo (primeira de 12 participações).
1952 – International Art Exhibition, Mainich Newspapers, Tóquio.
1954 – Gravadores Brasileiros, Museu Rath, Genebra, Suíça.
1955 – Incisioni e Disegni Brasiliani, Villa Cianni, Lugano, Itália.
1956 – 50 Anos de Paisagem Brasileira, MAM-SP.
1959-1960 – Primeira Exposição Coletiva de Artistas Brasileiros na Europa, várias cidades da Alemanha, Áustria, Holanda, Espanha e França.
1960 – 12 Artistas Brasileiros, Bezalel Museum, Jerusalém, Israel.
1961 – Ateliê Abramo Bonomi, São Paulo.
1962 – Seleção de Obras de Arte Brasileira da Coleção Ernesto Wolf, MAM-SP.
1970 – 40 Gravuras Nacionais e Estrangeiras do Acervo do MAC”, Museu de Arte Contemporânea de Olinda (PE).
1976 – Os Salões: da Família Artística Paulista, de Maio e do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, Museu Lasar Segall, São Paulo.
1978 – A Arte e seus Processos: o Papel como Suporte, Pinacoteca do Estado de São Paulo.
1980 – Homenagem a Mário Pedrosa, Galeria Jean Boghici, Rio de Janeiro.
1982 – Do Modernismo à Bienal, MAM-SP.
1983 – 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no MAC de Olinda (PE).
1985 – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, MAM-Rio.
1987 – Modernidade: arte brasileira do século XX, Museu de Arte Moderna de Paris.
1988 – Missões 300 Anos: a Visão do Artista, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro.
1992 – “O Olhar de Sérgio sobre a Arte Brasileira: desenhos e pinturas”, na Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo.
2003 – Lívio Abramo + 43 artistas, Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi, São Paulo.


Fontes
CAVALCANTI e Ayala, Carlos. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. INL/MEC, 1973, v.1, p. 1-2.
HERMIDA, Roberta de Mesquita Roca. Axe creatore: a comunicação na representação da obra gráfica de Lívio Abramo. Dissertação de Mestrado. Universidade de Brasília, 2002.
LIMA, Jefferson. Lições de pureza e rigor com Lívio Abramo. In: A Notícia, Joinville, 22 fev. 2000. Disponível em:
< http://www1.an.com.br/2000/fev/22/0ane.htm>
MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES. Mostra Rio Gravura: Gravura Moderna Brasileira Acervo MNBA, de 15 de setembro a 12 de outubro de 1999. Rio de Janeiro, 1999, p.34.
PONTUAL Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1969, v.2, p.33-34.
< http://www.casaartecanoas.com.br/web/biografia_det.php?artista=53>
< http://www.coresprimarias.com.br/ed_2/livio_melhor_p.php>
< http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_
verbete=2476&cd_item=1&cd_idioma=28555>
< http://www.escritoriodearte.com/listarQuadros.asp?artista=185>
< http://www.ibacbr.com.br/?dir=artigos&pag=002&opc=0071>
< http://www.pitoresco.com.br/brasil/abramo/abramo.htm>
< http://inmemorian.multiply.com/photos/album/30>
< http://educacao.uol.com.br/artes/ult1687u32.jhtm>
Lívio Abramo atravessa fronteiras. Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 mar. 2006.


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