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Ordem   Latim ordo, disciplina, regra. As ordens têm um vínculo mais forte com a arquitetura, mas influenciaram todas as artes, desde os gregos até nossos dias. No conjunto dos monumentos da arquitetura grega, por motivos didáticos, o estudioso Marcus Vitruvius Pollio (ativo entre 46-30 AC) fez distinção entre as diversas ordens em seu trabalho De Architectura. Este manuscrito, tão influente para a formação dos teóricos do renascimento, foi recuperado na Suíça em 1414, no Mosteiro de Saint Gall, ganhando sua primeira versão impressa (em tradução latina) em Roma (1486). Uma nova edição (Fra Giocondo, Veneza, 1511) veio enriquecida com ilustrações. Após impressões em várias línguas europeias, também em Veneza (1556), Daniele Barbaro apresentou finalmente uma edição ilustrada com todos os cuidados e precisões, ilustrando e esclarecendo o texto original. Um arquiteto italiano, Giacomo Barozzi da Vignola (1507-73) escreveu o tratado Regola delli Cinque Ordini d´Architettura  (Regras das cinco ordens arquitetônicas, 1562) com preciosas imagens que serviram para enriquecer os estudos da matéria.

A definição das ordens passa pela análise das colunas utilizadas nas edificações, acompanhada pelos atributos das mesmas nas partes superiores (capitéis, etc) e nas inferiores (bases, pedestais, plintos, etc). Vitruvius descreveu as ordens dórica, jônica e coríntia fazendo menção ainda a uma quarta, a toscana. Quando elementos de duas ou mais se misturam, temos uma ordem compósita. A importância permanente e persistente das ordens pode ser avaliada pelo fato de que até 1968, em Paris,  a Escola de Arquitetura das Belas Artes adotava o ensino das ordens em seus currículos, o mesmo acontecendo pelo mundo afóra.

Características básicas das ordens gregas:
- Ordem dórica: a coluna assenta diretamente sobre um estereóbato (um soco na base, sem qualquer ornamento). O corpo (fuste) da coluna apresenta caneluras verticais. O número das caneluras pode variar entre 16 a 20 em torno de sua superfície cilíndrica. O capitel (parte superior da coluna) é austero, circular e sem decoração. O entablamento (parte acima da coluna, que serve de apoio à construção) apresenta quatro níveis (módulos).
- Ordem jônica: assenta sobre uma base mais enfeitada, sendo o corpo da coluna adornado por 24 caneluras verticais e com um capitel quadricular, enriquecido com volutas que descem do capitel e se enrolam em si mesmas, como chifres de carneiro. O entablamento pode ter quatro ou mais níveis.
- Ordem coríntia: a base é semelhante à jônica, porém o capitel enfeitado com folhas de acanto sobrepostas e mais ornamentado que as ordens anteriores. O entablamento compreende cinco módulos.
- Ordem toscana, que foi acrescentada às anteriores: é a mais simples, com a coluna geralmente lisa e apoiada sobre uma discreta base cilíndrica.
- Ordem compósita: sobrecarregada de elementos, por exemplo, combinando as volutas jônicas e o capitel coríntio, com exuberante riqueza ornamental. Esta última só foi definida e apresentada em desenhos em 1537 pelo arquiteto italiano Sebastiano Serlio (1475-1554) que trabalhou na corte do rei francês François I.

No decorrer da história da arte surgiram novas ordens, entre as quais:
- atlântica, quando as colunas são sustentadas por atlantes. São estátuas nuas ou vestidas, representando homens atléticos, inteiros ou só do busto para cima, numa referência à mitologia grega, na qual uma divindade, Atlas, foi condenada a suportar o peso dos céus em seus ombros. Em uma versão feminina, os atlantes são substituídos por estátuas de mulheres vestidas à maneira grega, as cariátides, conhecidas na arquitetura grega desde o século 5 AC.       
 - Colossal, ou ordem gigante, na qual as colunas atingem dois ou mais pisos;
- paranínfica, figuras de ninfas substituem as colunas;
- pastoral, utiliza colunas que imitam árvores, geralmente para serem usadas em jardins e ambientes bucólicos, um tipo da preferência pelo rústico, uma afetação da aristocracia europeia do século 18;

- persa, evoca as colunas dos templos de Persópolis e de Isfahan, utilizando a flor de lótus como ornamento, tendo a base e o capitel em tamanhos equivalentes, popularizada no Ocidente no século 19.

V. Acanto. Fontainebleau. Grécia. Renascimento.

Ordem, Myanmar, Atumashi, 1857Ordem, Grécia, Templo de Poseidon, C. 460 ACOrdem, colunas romanas, Petra, Jordânia, séc. 1 ACOrdem, colunas indianasOrdem, colunas gregas, PartenonOrdem, colunas em Vishwanath, Nepal, 1627Ordem, coluna jônica, Jandial, Paquistão, sécs 2 AC-2DCOrdem, coluna islâmica, madrasa, Fez, séc. 14Ordem, coluna em madeira, Palácio Khauli, Khiva, Uzbequistão, 1832Ordem, capitel, islâmico, Shish Mahal, Paquistão, 1559Ordem, capitel, Basílica de São Pedro, RomaOrdem, capitel romanesco, La Madeleine, Vezelay, França, séc. 12Ordem, capitel renascentista, palazzo Medici, Florença, Itália, séc. 15Ordem, capitel jônico, GréciaOrdem, capitel islâmico, Aljaferia de Saragossa, Espanha, séc. 11Ordem, capitel coríntioOrdem, capitel budista, Sudeoksa, Coreia, séc. 14Ordem toscanaOrdem românica, colunas, Abadia de São Pedro, Moissac, França, séc. 12Ordem jónicaOrdem colossalOrdem dórica, Teatro Amazonas, ManausOrdem dórica, capitelOrdem dóricaOrdem coríntiaOrdem compósita